Visão de um Profissional de TI sobre Telecomunicação e TV Digital

O Professor Rodrigo Costa é formado em engenharia elétrica e mestre em Engenharia de Teleinformática, ambos pela UFC. Atualmente é professor substituto do Instituto Federal de Educação Tecnológica do Estado do Ceará - IFCE. Tem experiência em pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias em sistemas embarcados, atuando principalmente na supervisão técnica e programação em sistemas operacionais de dispositivos portáteis. O professor nos concedeu uma entrevista exclusiva dando sua opinião a respeito da TV digital e da telefonia no Brasil e esclarecendo alguns pontos que geram dúvidas para muitos. A entrevista ocorreu no dia 09 de novembro de 2010 em Fortaleza-CE no Campus da Universidade Federal do Ceará (UFC) via Skype.

Você está satisfeito com o sistema de telefonia que você utiliza?
Não, os preços para a realização de chamadas entre operadoras distintas é muito alto, acaba forçando ao usuário de baixa renda a adquirir e manter vários aparelhos pré-pagos de diversas operadoras para conseguir realizar suas chamadas para diferentes usos. Os planos de voz, na minha opinião, que permitem uma grande quantidade de chamadas para operadoras distintas possuem um alto custo, não sendo acessível a uma grande parte da população brasileira.

Na sua opinião, o que deve ser melhorado na telefonia móvel no Brasil?
O serviço de tráfego de dados. Assinar um plano de dados possui a vantagem de facilitar a comunicação e permitir a troca de informações independentemente do local onde se esteja. Contudo, um grande problema é o fornecimento do serviço. As operadoras não são obrigadas a fornecer a velocidade contratada, garantindo ao usuário apenas 10% da velocidade correta. Assim, o usuário contrata um plano de dados e muitas vezes, sente-se decepcionado com a operadora ou prejudicado por ela, pois tem o serviço de dados disponível na velocidade contratada durante um pequeno período no mês, tendo que se sujeitar a uma velocidade bem abaixo do valor contratado.

Quais os desafios e tendências de mercado do sistema de telefonia?
Hoje em dia, a tendência dos usuários é a concentração do uso em mensagens e o acesso a dados.  Um desafio importante é motivar o retorno da volta do uso da voz através de promoções e/ou até mesmo aplicações inovadoras, como por exemplo, reconhecimento de informações automáticas obtidas através da voz durante uma chamada convencional.

Na sua opinião, de que modo a população é influenciada pela programação na TV aberta?
Com certeza, a televisão aberta é popular em todos os locais do Brasil. Serve para informar, mas também a forma que determinado assunto é tratado pode influenciar a vida de toda a população brasileira. Sempre ocorre durante a eleição de um candidato ser favorecido devido à manipulação das notícias, como ocorreu nas eleições Lula X Collor, que determinada notícia inverídica causou um desgaste na imagem do Lula, fazendo com que o Collor vencesse a eleição.

Sobre a meta do encerramento do sinal analógico até 2016, você considera o tempo suficiente?
Creio que não, pois ainda hoje, uma grande parcela da população possui apenas televisores analógicos. Não creio que toda a população brasileira vai ter condições de adquirir o set-top Box nos próximos seis anos, pois o custo do set-top Box é elevado para os padrões atuais, custando cerca de meio salário mínimo os modelos mais simples. Seria interessante a diminuição dos custos de fabricação do set-top Box e também o fim da venda de aparelhos analógicos.

Qual a sua opinião sobre os preços abusivos dos contratos de TV por assinatura?
Não é só questão dos preços, mas também a exposição dos preços nos contratos de TV por assinatura antes da adesão. Muitas vezes, o preço é X para os primeiros meses e à medida que vai passando o tempo, há uma mudança nos preços, prevista dentro de cláusulas que muitos usuários leigos não conseguem perceber.  Além disto, os serviços prestados são poucos comparados com o preço. Uma pequena quantidade de canais que são exclusivos à TV por assinatura, que possa oferecer quase o mesmo número de canais que é obtido através das antenas parabólicas.

Você acha que esses novos tipos de internet TV (Google e Apple TV) poderiam tomar todo o mercado da TV digital interativa?
Creio que sim. A TV digital interativa continua atrelada a uma programação fixa definida pela operadora, possibilitando uma sutil intervenção do usuário. No caso atual, apenas é permitido ao usuário a opção de votação em tempo real ou visualização de conteúdo do programa apresentado. Por outro lado, nos modelos de internet TV o espectador monta a sua própria grade de programação e assiste apenas ao que é interessante para ele, podendo assistir a qualquer hora algo que ele deseja, através do armazenamento da transmissão para posterior uso. O usuário teria menos interatividade apenas em transmissão ao vivo.

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